A chegada da tecnologia 5G tem sido uma das maiores promessas para o avanço digital no Brasil, oferecendo uma conectividade mais rápida e eficiente, com potencial para transformar diversos setores. No entanto, em Mato Grosso do Sul, a realidade da implementação dessa inovação ainda é limitada. De acordo com informações recentes, apenas 18 dos 79 municípios do estado contam com acesso ao 5G, o que representa aproximadamente 22,8% das cidades. Esse cenário revela um desafio significativo para a democratização do acesso à internet de alta velocidade no estado.
A implementação do 5G em Mato Grosso do Sul ainda está em fase de expansão. Em 2024, 13 novos municípios receberam a autorização do governo federal para implantar o sinal de telefonia móvel de quinta geração. Entre esses municípios estão cidades como Paranaíba, Ponta Porã e Nova Andradina. Apesar desse avanço, a cobertura 5G ainda está restrita a uma pequena parcela da população, deixando muitas áreas sem acesso a essa tecnologia que promete revolucionar a conectividade.
A situação no estado reflete uma tendência nacional, onde o Brasil ainda enfrenta dificuldades para expandir a cobertura do 5G de forma equitativa. Segundo dados da Associação Brasileira de Infraestrutura para Telecomunicações (ABRINTEL), Mato Grosso do Sul possui 483 estações de 5G, o que equivale a apenas 1,18% do total de estações no Brasil. Esse número demonstra que a infraestrutura necessária para atender a todos os municípios ainda é insuficiente, o que contribui para as desigualdades no acesso à internet de alta velocidade.
A falta de cobertura 5G nas regiões mais remotas de Mato Grosso do Sul pode agravar ainda mais o abismo digital existente. Enquanto grandes centros urbanos começam a aproveitar as vantagens do 5G, muitas cidades no interior do estado continuam a depender de tecnologias mais antigas, como 3G e 4G. Isso limita o acesso a serviços essenciais, como educação a distância e saúde digital, além de dificultar o desenvolvimento econômico e social dessas localidades.
Em defesa da ampliação da cobertura 5G e do acesso igualitário à internet, a ABRINTEL tem pressionado por políticas públicas que garantam a expansão rápida e eficaz dessa tecnologia. Um dos principais pontos discutidos pela entidade é a obrigatoriedade do uso compartilhado de torres de telecomunicações a menos de 500 metros de distância umas das outras. Essa medida visa otimizar os investimentos em infraestrutura e permitir que mais municípios sejam atendidos sem a necessidade de construção de novas torres, que poderiam ser ineficientes e prejudiciais ao meio ambiente.
A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 7.708, que trata do compartilhamento obrigatório de torres, tem ganhado destaque no debate sobre a inclusão digital. O relator do processo, ministro Flávio Dino, defendeu o restabelecimento da norma, que foi temporariamente suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão final ainda está pendente, mas a expectativa é de que, caso a norma seja retomada, ela ajude a acelerar a cobertura 5G em Mato Grosso do Sul e em outros estados.
Em paralelo, a construção de mais torres de telecomunicações tem sido um tema central nas discussões sobre o futuro da conectividade no Brasil. Segundo a ABRINTEL, cerca de 800 torres foram erguidas nos últimos anos a menos de 500 metros de outras já existentes, o que representa um desperdício de recursos. Para a entidade, priorizar o uso de estruturas existentes seria uma forma mais eficiente de alocar investimentos, evitando a duplicação de infraestrutura e garantindo que mais municípios tenham acesso à tecnologia 5G.
A ampliação do 5G em Mato Grosso do Sul e em todo o Brasil é fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade digital mais inclusiva. Para que isso se concretize, é necessário que o governo e as operadoras de telecomunicações adotem estratégias que garantam a distribuição equitativa das torres e das estações de 5G. Somente assim será possível oferecer a todas as regiões o acesso à internet de alta velocidade, promovendo a inclusão digital e o progresso social e econômico.
Autor: Anton Vlasov