Deflagrada pelo Gaeco do Paraná na manhã de segunda-feira (15), a megaoperação cumpriu 559 mandados judiciais em Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina, com alvo direto na facção que comanda ações criminosas de dentro de presídios.
A cidade de Naviraí acordou sob clima de operação policial na manhã de 15 de junho de 2026. Enquanto a maior parte das ações ocorria em dezenas de municípios paranaenses, Naviraí figurou entre os alvos fora do Paraná da chamada Operação Panóptico, coordenada pelo Gaeco, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Paraná. A ação foi simultânea em quatro estados e colocou cerca de mil policiais nas ruas para dar cumprimento a 304 mandados de prisão e 255 de busca e apreensão, com foco em integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) que atuavam articulados a partir do sistema prisional. Segundo a Agepen, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul, os presídios sul-mato-grossenses não foram alvo direto da operação. Os mandados na cidade de Naviraí foram cumpridos nas ruas, e não nas unidades prisionais locais. A ação representa mais um capítulo da pressão do sistema de Justiça sobre organizações criminosas que operam de forma descentralizada, cruzando fronteiras estaduais e coordenando atividades ilícitas mesmo com parte dos líderes atrás das grades.
O que é a Operação Panóptico e como ela chegou ao Cone Sul
A Operação Panóptico foi deflagrada pelo Gaeco do Ministério Público do Paraná na manhã de segunda-feira, 15 de junho, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa com atuação em diferentes estados e articulação a partir do sistema prisional. A escolha do nome remete ao conceito filosófico de vigilância permanente, o que sinaliza a estratégia dos investigadores: monitorar e mapear a rede criminosa antes de agir de forma coordenada. Poder360
As investigações que deram origem à operação foram conduzidas por dez núcleos do Gaeco no estado paranaense e tiveram início no final de 2025. No Paraná, os mandados foram cumpridos em 34 municípios, entre eles Cascavel, Curitiba, Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá e Ponta Grossa. Fora do Paraná, os estados de Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e São Paulo também receberam equipes, com mandados cumpridos em Naviraí, Joinville, Bauru e Itapecerica da Serra. Correio do Estado
Do total de 559 mandados expedidos, 90% foram cumpridos até o balanço parcial divulgado pelas autoridades. Durante a operação, houve dois confrontos armados no interior do Paraná, em Cambé e Nova Londrina, ambos com mortes de suspeitos que reagiram à abordagem policial. Um soldado da PM ficou ferido em Cambé e foi internado sem risco de vida. Maringamais
Como a facção articulava crimes a partir dos presídios
Segundo as informações divulgadas pelo Ministério Público do Paraná, a operação buscou responsabilizar o maior número de integrantes da facção e enfraquecer sua atuação nos estados. A meta declarada era impedir que as atividades criminosas continuíssem, reunindo provas e concluindo apurações sobre crimes que têm origem na ação de criminosos inseridos nas unidades prisionais, como o tráfico de drogas. Tribuna do Povo
O modelo de operação descrito pelas autoridades é recorrente no crime organizado brasileiro: líderes encarcerados usam celulares contrabandeados e intermediários para coordenar o tráfico de entorpecentes, cobranças e até ameaças em cidades distantes dos presídios onde cumprem pena. Isso explica por que uma ação deflagrada a partir do Paraná teve reflexos em Naviraí, cidade sul-mato-grossense a centenas de quilômetros de Curitiba.
Cerca de mil policiais foram mobilizados simultaneamente para cumprir os mandados, o que demonstra a escala da articulação entre os órgãos de segurança pública dos estados envolvidos. A apreensão de dinheiro, armas e entorpecentes durante as buscas reforça o perfil das atividades investigadas. O Estado Online
O que a operação significa para Naviraí e a segurança regional
A presença de Naviraí entre os alvos da Operação Panóptico não é um detalhe menor. A cidade, conhecida como Capital do Cone Sul de Mato Grosso do Sul, fica numa região de fronteira com o Paraguai, o que historicamente a coloca em rotas do tráfico internacional de drogas. A proximidade geográfica com países do Mercosul torna o sul do estado um corredor sensível para o crime organizado, o que exige atenção constante das forças de segurança.
A ação do Gaeco paranaense em solo naviraíense levanta questões sobre a cooperação interestadual no combate ao crime organizado. Quando investigações conduzidas em um estado resultam em mandados cumpridos em outra unidade da federação, isso evidencia que as redes criminosas não respeitam fronteiras administrativas, e que o enfrentamento eficaz depende de inteligência policial compartilhada. Para os moradores de Naviraí, a operação representa tanto um sinal de que as autoridades monitoram a movimentação de facções na cidade quanto um lembrete de que a segurança pública exige esforço contínuo e articulado.
Fontes: O Estado Online (https://oestadoonline.com.br/destaque-policial/navirai-e-alvo-de-megaoperacao-que-mira-grupos-criminosos-que-comandam-a-partir-de-presidios/), Correio do Estado (https://correiodoestado.com.br/cidades/operacao-contra-faccoes-criminosas-no-parana-resulta-em-prisao-em/468144/), Poder360 (https://www.poder360.com.br/poder-seguranca-publica/veja-imagens-da-megaoperacao-contra-o-pcc-que-cumpriu-559-mandados/), Midiamax (https://midiamax.com.br/policia/2026/faccao-criminosa-agia-dentro-presidios-alvo-operacao-gaeco-ms/)
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

