Hugo Galvao de Franca Filho, empresário e especialista em marketplaces e crescimento de vendas online, comenta que, enquanto boa parte da conversa sobre comércio internacional no Brasil gira em torno da concorrência de plataformas estrangeiras vendendo para o consumidor brasileiro, existe um caminho inverso que segue praticamente inexplorado pela maioria dos pequenos e médios negócios do país, o de vender produtos brasileiros para consumidores de outros lugares do mundo, usando a própria estrutura dos grandes marketplaces já conhecidos por aqui.
Essa é uma das oportunidades mais desperdiçadas do e-commerce brasileiro atual. Negócios que já dominam a operação dentro de plataformas como Amazon e Mercado Livre têm uma vantagem competitiva relevante para começar a exportar, já que boa parte da infraestrutura de vendas, cobrança e até logística internacional já está disponível dentro do próprio ecossistema que a empresa já utiliza no mercado interno.
Um número que revela o tamanho da oportunidade
Dados recentes do setor mostram que, entre milhares de vendedores parceiros ativos em programas de exportação por marketplace no Brasil, apenas uma fração pequena efetivamente aproveita esse canal para vender internacionalmente, mesmo sendo majoritariamente formada por micro, pequenas e médias empresas. Esse baixo número de adesão não reflete falta de demanda internacional, mas sim uma combinação de desconhecimento, barreira de idioma e insegurança sobre como funciona esse tipo de operação na prática.
Para Hugo Galvao de Franca Filho, esse cenário é revelador, já que o próprio setor reconhece estar apenas no início dessa curva de maturidade. Segundo ele, o principal obstáculo não é a falta de produto brasileiro com potencial de venda internacional, mas a falta de informação clara sobre como dar o primeiro passo, o que reforça a importância de negócios buscarem ativamente o conhecimento que os próprios marketplaces já oferecem sobre o tema.
Como o marketplace reduz a complexidade da exportação tradicional?
Historicamente, exportar exigia lidar com uma quantidade grande de burocracia, desde documentação alfandegária até a negociação direta de frete internacional, processo que costumava exigir estrutura própria de comércio exterior, algo fora do alcance da maioria dos pequenos negócios. Programas de exportação dentro de grandes marketplaces mudam parte dessa equação, oferecendo suporte de tradução de anúncios, gestão simplificada de tributos internacionais e, em alguns casos, até estrutura de logística compartilhada para envio ao exterior.
Ainda assim, para Hugo Galvao, essa simplificação é o que torna a exportação via marketplace um caminho mais realista para negócios de menor porte, que dificilmente teriam recursos para montar uma operação internacional própria do zero. Ele reforça, no entanto, que simplificar não significa eliminar toda a complexidade, e que o empresário ainda precisa entender questões como taxação do produto no país de destino, adequação de embalagem para transporte de longa distância e eventuais restrições sanitárias, especialmente relevantes para produtos alimentícios e de consumo animal.
O outro lado da moeda: competir com quem vende do exterior!
Ao mesmo tempo em que se abre essa possibilidade de exportação, o mercado brasileiro também enfrenta a pressão inversa, de vendedores internacionais, especialmente da China, que despacham produtos diretamente para o consumidor brasileiro por meio dos mesmos grandes marketplaces. Essa dinâmica de mão dupla exige que o empresário nacional pense estrategicamente nos dois sentidos, tanto na defesa do próprio mercado interno quanto na oportunidade de expandir para fora.
Hugo Galvao de Franca Filho destaca que entender essa disputa em duas frentes é o que diferencia uma leitura estratégica completa de uma análise superficial do cenário. Segundo ele, negócios que se preocupam apenas em se proteger da concorrência estrangeira, sem considerar a possibilidade de também vender para fora usando a mesma estrutura de marketplace, acabam enxergando apenas metade da fotografia real desse mercado cada vez mais interconectado.
Um caminho de crescimento ainda pouco percorrido
O movimento de internacionalização de pequenos negócios brasileiros deve se intensificar nos próximos anos, à medida que mais empresas percebem que a barreira de entrada para vender fora do país é bem menor do que costumava ser. Isso representa uma janela de oportunidade concreta para negócios dispostos a investir tempo em entender as regras específicas de cada mercado de destino.
A Enjoy Pets, atuante no mercado pet, acompanha de perto esse movimento de internacionalização, entendendo que crescer para além das fronteiras nacionais é uma extensão natural de uma operação de marketplace já bem estruturada internamente. Na visão de Hugo Galvao de Franca Filho, o maior equívoco é achar que exportar exige começar do zero: o empresário que já domina a lógica de vender bem dentro do próprio país carrega, na maioria das vezes, mais capacidade do que imagina para replicar esse conhecimento em outros mercados, faltando apenas o primeiro passo de buscar informação e testar o caminho com cautela.
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