Técnicos da Gerência de Meio Ambiente participaram de treinamento realizado pelo Imasul em Dourados e voltaram com acesso a ferramentas que modernizam a atuação ambiental no município.
A fiscalização ambiental dos municípios brasileiros passa por uma transformação que chega agora também a Naviraí. No final de maio de 2026, a Prefeitura enviou técnicos da Gerência de Meio Ambiente para um treinamento específico sobre ferramentas digitais de monitoramento, realizado em Dourados com a orientação do Imasul, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul. O resultado prático é que Naviraí passa a contar com capacidade técnica para usar sistemas de geoprocessamento, mapas de precisão e bancos de dados ambientais que até pouco tempo ficavam restritos ao nível estadual. Para uma cidade com forte vocação agropecuária e cercada por área rural relevante, essa atualização representa uma mudança concreta na forma de controlar o uso do solo, o desmatamento, as emissões industriais e o licenciamento de atividades que afetam o entorno. A pergunta que fica para o cidadão é: o que muda, na prática, com esse novo modelo de fiscalização?
O que é o geoprocessamento e para que ele serve na gestão ambiental
Geoprocessamento é o conjunto de técnicas que combina dados geográficos com sistemas computacionais para analisar o território. Na fiscalização ambiental, isso significa cruzar imagens de satélite com registros de licenciamento, identificar desmatamentos, rastrear áreas de preservação permanente e monitorar emissões industriais com muito mais agilidade do que seria possível apenas com vistorias presenciais.
A formação ministrada no treinamento foi conduzida pelos técnicos Luiz Mário Ferreira, diretor de Licenciamento e Fiscalização do Imasul, e Heleno da Silva Mira, da Unidade de Geoprocessamento do órgão estadual. O objetivo do programa foi alinhar os técnicos de municípios descentralizados como Naviraí com o que há de mais moderno em sistemas de mapeamento e inteligência geográfica do estado. O PROGRESSO
A formação garantiu acesso teórico e prático a ferramentas avançadas, sistemas digitais e mapas de precisão, realizados entre os dias 20 e 22 de maio em Dourados. Além das aulas técnicas, a programação incluiu uma visita à planta industrial da Coamo, cooperativa agroindustrial, para observar como o setor privado aplica sistemas de controle ambiental no monitoramento de emissões e resíduos de uma refinaria de óleo de soja. Enfoque MS
O que a Prefeitura pretende fazer com as novas ferramentas
Segundo o Gerente de Meio Ambiente de Naviraí, o professor João do Carmo (Professor Chocolate), trilhas de conhecimento como essa são essenciais para a atualização técnica e a modernização dos serviços prestados pela Gerência Municipal de Meio Ambiente, garantindo uma atuação cada vez mais eficiente e qualificada em benefício da população e da preservação ambiental. Enfoque MS
A intenção declarada da gestão municipal é que a capacitação faça parte de um programa contínuo de modernização do serviço público. Ao dominar as ferramentas do estado, Naviraí ganha autonomia para conduzir análises ambientais sem depender exclusivamente de servidores do governo estadual, o que tende a reduzir o tempo de resposta nos processos de licenciamento. Para quem pretende abrir um negócio ou formalizar uma atividade rural que exige licença ambiental, isso pode significar tramitações mais rápidas e transparentes.
A visita à Coamo também teve um papel formativo: mostrou como uma indústria de grande porte faz o monitoramento contínuo de suas emissões e resíduos. Trazer esse padrão de controle como referência para o setor público municipal é uma forma de elevar o nível técnico da fiscalização, tornando-a mais objetiva e menos dependente apenas da inspeção visual feita por agentes em campo.
Por que essa modernização importa para Naviraí
Naviraí tem perfil econômico que combina agronegócio, pecuária e uma base industrial em expansão. Esse conjunto de atividades gera pressão sobre o meio ambiente, seja pelo uso intensivo da terra, pelo consumo de água ou pelo descarte de resíduos das unidades produtivas. Sem ferramentas adequadas, a fiscalização ambiental tende a ser reativa: age depois que o problema já está instalado.
Com o geoprocessamento, é possível identificar alterações no território antes que virem infrações consolidadas, cruzar dados de licenciamento com imagens atualizadas e planejar ações de fiscalização com base em análise de risco, em vez de agir apenas por denúncia ou sorte. Para o cidadão, os benefícios são indiretos, mas reais: proteção de nascentes, controle de desmatamento e garantia de que as empresas instaladas no município seguem as regras ambientais. A modernização da Gerência de Meio Ambiente de Naviraí é, portanto, um investimento que afeta a qualidade de vida da população, a confiança dos investidores e a sustentabilidade do desenvolvimento local a médio prazo.
Fontes: O Progresso (https://progresso.com.br/index.php/2026/05/29/navirai-moderniza-fiscalizacao-ambiental-com-novas-tecnologias/), Enfoques MS (https://www.enfoquems.com.br/navirai-moderniza-fiscalizacao-ambiental-com-uso-de-inteligencia-e-novas-tecnologias/), Prefeitura de Naviraí (https://navirai.ms.gov.br/noticia/navirai-moderniza-fiscalizacao-ambiental-com-uso-de-inteligencia-e-novas-tecnologias/)
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

