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    O Flamengo tem dois hinos oficiais, e o mais famoso não foi o primeiro, relembra Mário Augusto de Castro

    Diego VelázquezPor Diego Velázquezjulho 30, 20265 Mins de leitura
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    Mario Augusto de Castro
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    O Flamengo possui oficialmente dois hinos reconhecidos ao longo de sua história, um fato pouco conhecido mesmo entre torcedores mais assíduos, já que a canção mais popular do clube não foi a primeira composição criada para representá-lo perante a torcida. Mário Augusto de Castro, torcedor do Flamengo, costuma citar essa curiosidade como um exemplo de como certas tradições populares acabam ofuscando registros institucionais mais antigos dentro da história de um clube centenário.

    As origens do primeiro hino do Flamengo, composto em 1919

    O primeiro hino do clube, conhecido como Hymno Rubro-Negro, foi composto em 1919 por Paulo Magalhães, goleiro reserva do próprio time de futebol, responsável tanto pela letra quanto pela melodia da composição original apresentada ao clube naquele momento de sua fundação. A canção foi apresentada publicamente pela primeira vez em novembro de 1920, durante as comemorações dos vinte e cinco anos de fundação do clube, em uma partida disputada contra o Palmeiras de São Cristóvão no antigo estádio da Rua Paysandu, no Rio de Janeiro.

    Mário Augusto de Castro comenta que essa primeira composição foi posteriormente gravada em disco na década de 1930 e registrada oficialmente em um instituto nacional de música poucos anos depois, formalizando seu status dentro do acervo histórico do clube, mesmo sem alcançar a mesma popularidade que a segunda composição conquistaria décadas mais tarde entre a torcida rubro-negra espalhada por todo o país.

    Por que o hino de Lamartine Babo se tornou mais popular que o original?

    Quase vinte e cinco anos depois da criação do primeiro hino, o compositor Lamartine Babo foi contratado para escrever uma nova marcha em homenagem ao clube, resultando na canção que se tornaria conhecida pelo refrão “Uma vez Flamengo, sempre Flamengo”, cantado até hoje em praticamente todos os jogos disputados pelo time. A composição foi apresentada pela primeira vez em janeiro de 1944, em um teatro carioca tradicional, para um grupo restrito de convidados próximos ao compositor e à diretoria do clube naquele momento.

    A popularidade da nova canção cresceu de forma acelerada logo depois de sua criação, impulsionada ainda mais pela conquista de um tricampeonato estadual pelo Flamengo naquele mesmo ano de 1944, o que, segundo Mário Augusto de Castro, associou a música diretamente a um momento de grande sucesso esportivo vivido pelo clube naquele período específico da década de quarenta.

    Como o sucesso da música ajudou a criar hinos de outros clubes cariocas?

    O sucesso imediato da composição de Lamartine Babo entre a torcida do Flamengo despertou o interesse de diretorias de outros clubes tradicionais do Rio de Janeiro, que passaram a contratar o mesmo compositor para criar marchas semelhantes em homenagem às suas próprias instituições esportivas ao longo dos anos seguintes. Ao todo, mais de dez outros clubes cariocas encomendaram composições ao mesmo autor logo depois de perceberem o impacto positivo gerado pela canção do Flamengo entre a torcida rubro-negra, consolidando um fenômeno raro dentro da história do futebol brasileiro daquele período.

    Mario Augusto de Castro
    Mario Augusto de Castro

    Mário Augusto de Castro menciona que esse fenômeno transformou Lamartine Babo em uma espécie de compositor oficial de hinos de clubes de futebol naquele período específico da história esportiva carioca, um papel raramente ocupado por um único artista dentro do futebol brasileiro em qualquer outra época registrada ao longo do último século de competições disputadas no país.

    Por que o hino mais popular só foi oficializado décadas depois?

    Apesar de conquistar a torcida quase que imediatamente após sua criação em 1944, a composição de Lamartine Babo só passou a integrar formalmente o estatuto social do clube décadas mais tarde, em 1992, quando finalmente recebeu reconhecimento oficial equivalente ao da primeira composição de 1919, registrada formalmente ainda nas primeiras décadas do século vinte, muito antes de qualquer título nacional conquistado pelo clube. Um intervalo prolongado como esse entre popularidade e oficialização raramente é lembrado nas discussões sobre a história musical do clube ao longo de mais de um século de existência.

    Um intervalo tão longo quanto esse mostra como certas tradições podem se consolidar culturalmente muito antes de receberem qualquer tipo de reconhecimento formal por parte da própria instituição que representam, permanecendo por décadas como parte informal, mas amplamente aceita, da identidade do clube perante sua torcida e a imprensa esportiva do país, pondera Mário Augusto de Castro. 

    O que a existência de dois hinos revela sobre a cultura do clube?

    Manter dois hinos reconhecidos oficialmente, mesmo com popularidades tão distintas entre torcedores de diferentes gerações, reforça como a identidade musical de um clube centenário pode se construir em camadas sobrepostas ao longo do tempo, sem que uma composição precise necessariamente substituir a outra por completo dentro do próprio acervo histórico da instituição esportiva carioca.

    Mário Augusto de Castro avalia que esse tipo de convivência entre composições de épocas tão diferentes ajuda a explicar por que a memória musical do Flamengo segue sendo revisitada por pesquisadores e torcedores interessados em entender a evolução cultural do clube ao longo de mais de um século de história esportiva e institucional, muito além dos títulos conquistados dentro de campo pelas diferentes gerações de jogadores.

     

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