Como pós-graduado em geriatria, além de fundador do projeto social Humaniza Sertão, Yuri Silva Portela informa que o envelhecimento pode modificar a forma como o organismo absorve, distribui e elimina medicamentos, tornando a revisão da receita uma etapa importante do acompanhamento da saúde. Esse cuidado precisa considerar não apenas a quantidade de remédios utilizados, mas também as condições de saúde, a rotina e as mudanças que surgem ao longo dos anos. Afinal, uma prescrição adequada em determinado momento pode precisar de ajustes posteriormente.
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O que muda no organismo com o passar dos anos? Saiba agora com o Doutor Yuri Silva Portela
O envelhecimento provoca alterações naturais no funcionamento do organismo. Rins e fígado, por exemplo, podem apresentar mudanças que interferem no processamento e na eliminação de determinadas substâncias. Isso não significa que todo medicamento ofereça risco para uma pessoa idosa, mas indica que a escolha, a dose e o acompanhamento precisam ser individualizados. Por isso, uma prescrição adequada deve considerar as características e as condições de saúde de cada paciente.
Convém lembrar que é comum que pessoas mais velhas convivam com diferentes condições de saúde ao mesmo tempo. Hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e outras condições podem exigir tratamentos simultâneos. Quando várias prescrições se acumulam, torna-se ainda mais importante verificar como os medicamentos funcionam em conjunto. A avaliação desse conjunto ajuda a identificar possíveis interações e a verificar se todas as terapias continuam adequadas.
Por essa razão, a revisão da receita não deve ser entendida como uma simples conferência dos nomes escritos no papel. Ela permite verificar se os tratamentos continuam necessários, se as doses permanecem adequadas e se houve alguma mudança no estado de saúde que justifique uma nova avaliação. Yuri Silva Portela elucida que esse cuidado também permite atualizar a prescrição conforme novas necessidades surgem ao longo do envelhecimento.
Por que vários medicamentos exigem atenção redobrada?
O uso simultâneo de diversos medicamentos é conhecido como polifarmácia. Embora não seja necessariamente inadequado, quanto maior o número de substâncias utilizadas, maior pode ser a complexidade do tratamento. Horários diferentes, doses específicas e possíveis interações tornam a rotina mais difícil de administrar. Por isso, manter o tratamento organizado e acompanhado pode ajudar a reduzir confusões e facilitar a identificação de possíveis problemas.

Outro ponto merece atenção: nem tudo o que a pessoa utiliza aparece na receita médica. Analgésicos comprados diretamente na farmácia, vitaminas, suplementos e outros produtos também precisam ser informados aos profissionais responsáveis pelo acompanhamento. Essas informações ajudam a formar uma visão mais completa do tratamento. Até mesmo produtos usados ocasionalmente devem ser mencionados quando houver uma avaliação da medicação.
O Doutor Yuri Silva Portela ressalta, nesse contexto, que a avaliação deve considerar a pessoa como um todo. Um medicamento pode ser necessário para determinada condição, mas a sua permanência na rotina precisa ser analisada dentro do conjunto de tratamentos utilizados. Essa revisão individualizada permite verificar se as necessidades do paciente continuam compatíveis com a prescrição e se existe algum ponto que merece ser reavaliado.
Quais sinais podem indicar problemas com a medicação?
O Doutor Yuri Silva Portela informa que algumas mudanças podem aparecer na rotina depois do início de um medicamento, de uma alteração de dose ou da inclusão de uma nova substância. Tontura, sonolência excessiva, confusão, fraqueza ou alterações no equilíbrio são exemplos de situações que devem ser comunicadas ao profissional responsável, principalmente quando surgem de maneira diferente do habitual.
As quedas merecem atenção especial entre pessoas idosas, pois alterações no equilíbrio, redução da força e possíveis efeitos de medicamentos podem aumentar o risco de acidentes. No fim, mudanças na disposição, na mobilidade ou no equilíbrio não devem ser automaticamente atribuídas à idade. Embora esses sinais não indiquem necessariamente que um medicamento seja responsável, alterações que surgem após uma mudança no tratamento devem ser comunicadas ao profissional de saúde para que as possíveis causas sejam avaliadas.

